Wednesday, November 14, 2007

A sutileza de Sofia

Imagine que você tem quinze aninhos e é filha dos imperadores da Áustria. Aí, mami te manda sozinha pra França, porque você vai casar com o herdeiro da coroa. Tudo isso em mil setecentos e pouco, quando o nariz dos franceses estava no auge do empinamento. Essa é a saga da Marie Antoinette, gente como a gente, que por infortúnio virou rainha da França aos dezoito anos.
E parece que a Maria Antonieta fez o que qualquer reles mortal adolescente com alma boa faria. Montou o guarda-roupa dos sonhos, formou uma tchurma de amigos divertidos e caiu na farra. O universo que ela criou para tentar amenizar a pressão em que vivia é o tema de Maria Antonieta, o último filme da Sofia Coppola.
O filme não é lançamento e muita gente já viu, mas nesse feriado que (pelo menos pelas bandas de cá) só vai chover, a dica é fazer uma visita ao legado da Sofia Coppola. Além de Maria Antonieta, Sofia filmou As Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros. Todos filmes peculiares, delicados e diferentes.
Os filmes da Sofia não são apressados, ela gosta de explorar momentos íntimos e reflexivos dos seus personagens e, pra não ficar chato, ela capricha na escolha dos atores, estilo de atuação e na trilha sonora. As músicas de Maria Antonieta são um prato cheio pra quem gosta de rock. Tem Strokes, New Order, Gang of Four... e é incrível como combina com a corte de Versalhes.
Pena que não é fácil ser Sofia. Adoram pegar no pé dela e criticar tecnicamente uma cineasta que está mais interessada em produzir filmes que tenham seu estilo, e sejam um pouco anti-convencionais. Mas ela também tem seus admiradores e, deixando de lado os Framboesa de Ouro que ela levou pela atuação em O Poderoso Chefão III (um filme que, se não fechasse uma das mais importantes trilogias da história do cinema, a gente podia deixar de lado também), a Sofia já foi indicada para muito prêmio e, olhe só, ela é uma das únicas três mulheres no mundo que foram indicadas ao Oscar de melhor direção!
Sofi, me liga. Quero ser sua amiga.

Maratona Sofia Coppola:
As Virgens Suicidas, 1999
Encontros e Desencontros, 2003
Maria Antonieta, 2006

Mulheres indicadas ao Oscar de melhor direção:

Lina Wertmüller, por Pasqualino Sete Belezas, 1976
Jane Campion, por O Piano, 1993
Sofia Coppola, por Encontros e Desencontros, 2003

Tuesday, November 13, 2007

Rock de dançar

Hoje começa a série de apresentações do LCD Soundsystem no Brasil. Tem São Paulo, BH, Rio e Brasília. Será que Curitiba bateu na trave?
Pra falar do LCD Soundsystem tem que tocar no nome do produtor nova-iorquino James Murphy. Ele é o “dono” da banda e responde também pelo selo DFA que, como gravadora abriga, além do LCD, nomes como The Rapture e Hot Chip e, como produtora, tem remixes feitos para Chemical Brothers, Nine Inch Nails, Gorillaz, ou seja, toda essa galera do rock de dançar.
O LCD Soundsystem lançou esse ano Sounds of Silver, o segundo álbum que faz a alegria da crítica e de roqueiros que não tem preconceito com batidas eletrônicas. O Franz Ferdinand regravou All My Friends e deu pra ela um vídeo clipe legal e surrealista. O som do LCD tem um quê de anos 80 e 90 mas, ao mesmo tempo, não dá pra negar que é super moderno. Se você ficar parado ouvindo, tem algum problema.

Quer mais? Siiim. Então clica aí.

dfarecords.com
lcdsoundsystem.com
myspace.com/lcdsoundsystem
vídeo de All My Friends, versão Franz

O Chemical Brothers também andou pelo Brasil essa semana, e o último disco deles, We are the Night, merece o comentário. Pra quem gosta desses caras, ou já gostou e tinha esquecido, eu recomendo. Tem muita música boa que deve ficar super poderosa ao vivo, ainda mais com os efeitos de imagem que eles usam no show. Loucura! Veja as fotos do show em SP pra ter uma idéia.

With a little help from my friends

Eu sabia que ao pedir colaboração para os leitores, se eu usasse a palavra “receitinha” não ia ter erro. É com grande satisfação que eu publico a primeira e especialíssima receita indicada pelos “amigos do máquecousa”.

É um drink, claro. E é chiquérrimo.

COSMOPOLITAN

1 dose de vodka da mais alta qualidade
1/2 de grenadine (xarope de romã)
1/2 dose de cointreau (licor de laranjas)
20ml de limão (meio limão espremido)
4 pedras de gelo

Bata tudo em uma coqueteleira e sirva em uma taça, sem gelo, e com uma cereja para decorar (opcional).

Se você não estiver a fim de fazer em casa, pode passar no Korova e tomar lá, curtindo um som.
Lembre-se que você também pode ser um amigo do máquecousa! Obrigada, um abraço.

Festival de Cinema, Vídeo e DCine de Curitiba

13.11.07

Começou ontem e vai até o dia 18 de Novembro o 10º Festival de Cinema, Vídeo e DCine de Curitiba.

Você acha a programação nos endereços abaixo. Além das mostras de filmes, o Festival oferece oficinas gratuitas e bem interessantes para quem topa sair do conforto da poltrona e colocar a mão na massa. Ainda dá tempo de se inscrever.

festcine.araucaria.art.br

fcvdc.blogspot.com

Monday, November 12, 2007

Pra alegrar o fim de noite da segundona

Olha que presente o vídeo que veio agorinha lá do site do Lúcio Ribeiro.
Make It Wit Chu, que eu comentei ali no post Songs for the Deaf.
É, é a tal da song about fucking, mas o vídeo é de suspirar.
E a canção tem um temperinho romântico, sim.

Termine bem o seu dia, e passe momentos agradáveis ao clicar no link abaixo.
Disponha.

Festival Planeta Terra, vem ni mim!!

12.11.07

Tudo bem que Curitiba foi premiada com a noite mais linda do TIM Festival 2007, mas um festival por ano é muito pouco. Queremos mais!
Nossos amigos paulistanos mal se recuperaram do TIM e já tiveram oportunidade de curtir mais um, o grandão Planeta Terra, que aconteceu sábado, dia 10, na Villa dos Galpões.
Nós, pobres curitibanos ou curitibanos pobres não vimos ao vivo, mas não é por isso que ficaremos excluídos.
Vamos conhecer o que rolou por lá. Enquanto não somos a capital dos festivais brasileiros, sejamos o público com maior cultura musical do país (ainda bem que agora tem máquecousa pra ajudar!!).

Aí vai uma descrição rápida de alguns dos principais nomes que subiram aos palcos do Planeta Terra.

Tokyo Police Control – são fresquinhos, ainda não tem álbum lançado, e todo mundo que ouve gosta. Apesar de serem canadenses, tem uma pitada (pitadona?) do british style. Quer ir direto no hit? Cheer It On, bem animadinha. Andam falando que eles ouvem muito Strokes, mas um é pouco e dois é bom. Então, qual o problema?

Datarock – dupla de noruegueses que gravou um disco independente e o mundo descobriu. É rotulado como um forte representante da new rave, mas eles se consideram “indie dance”. O som é bem anos 90. Fa Fa Fa é o hit, que poderia ser trilha de Curtindo a Vida Adoidado, mas embala um anúncio da Coca-Cola.

The Rapture – novaiorquinos, com um som bem alto astral chamado de dance-punk. Mas é claro que eles não querem nem saber desse tal de dance-punk, e sim de funk, R&B e muito groove, ou seja, colocar todo mundo pra balançar. Missão cumprida. Echoes, de 2003, é um álbum que arranca suspiros dos críticos. O “novo” Pieces of The People We Love (2006) segue a trilha do antecessor. Pra arrasar como DJ na festinha, sai correndo atrás deles.

Lily Allen – você já ouviu Smile em algum lugar. Além desse hit estouradíssimo, Lily tem 22 anos, um álbum indicado a vários prêmios (mas o único que ela levou foi de mais mal vestida, no NME Awards), muita atenção da mídia e uma língua bem afiada, com a qual anda dando umas “pedradas” em famosos. Segue a linha da Amy Winehouse: toma umas e escreve letras autobiográficas. Seu CD, Alright, Still, é bem feitinho e bem pop.

Devo – banda dos anos 70 cujo tema é “ficção científica kitsch, com toques de humor surrealista, via instrumentação minimalista e sintética”. Se essa bela descrição não for suficiente pra despertar sua curiosidade, tem mais. A música Whip It (não perca esse clipe, e dê risada), que a princípio era uma crítica ao autoritarismo de Reagan, foi interpretada como alusiva a masturbação, e por isso fez o maior sucesso. O Devo, com sua postura debochada e inteligente é ícone absoluto e influência de muita banda, inclusive do Datarock.

Kasabian
– mais uma oriunda do velho continente. Vêm com tudo que o pacote bandas inglesas oferece: arzinho blasé, modelitos que os fashionistas adoram e bom gosto musical. O Kasabian não se prende ao “rock raiz” e lança mão do eletrônico. Segundo Chris Edward, o baixista, eles começaram fazendo rock, mas foi ficando cada vez mais dançante, e a música serve para divertir as pessoas. Pense sobre isso ouvindo Reason is Treason, do primeiro CD.

Quer mais? Siiiiim. Então clica aí.

Tokyo Police Club
Myspace

Datarock
Myspace

The Rapture
Myspace

Lily Allen
Myspace

Devo - Myspace
Clipe de Whip It

Kasabian
Myspace

Volta

12.11.07

Song: Folk Jovem - Maremotos

Songs for the Deaf foi a última das aventuras americanas a ser registrada.
A partir de agora o máquecousa fala (sim, temos um blog falante!) sobre todas aquelas coisas que a gente gosta.
Toda vez que você acessar vai aprender um pouquinho sobre música, ganhar uma dica de filme legal pra assistir, ou um lugar pra visitar, ou ainda vai poder dar uma filosofada baseado em divagações de mentes variadas. Quem sabe até uma receitinha, hein?
Então caro amigo, o convido a ser mais do que leitor. Escreve um textinho, manda pra cá. Viu um filme e achou lindo? Compartilha com o mundo, me manda um email dando essa dica.
Aqui vale tudo. Foto, texto, música, poesia, resmungo, confissões...
O importante é se manifestar.

Então vai!
marinamosol@gmail.com

P.S. importante – Cabecinhas mais atentas notaram que todos os posts da série viagem aos EUA tinham como título o nome de um disco. Em comemoração ao início da nova era no máquecousa, eu publiquei nos comentários de cada post o nome do artista e ano de lançamento. Com exceção da Yoko Ono, que entrou ali meio de emergência, eu recomendo todos para você. Obrigada, um abraço.
Não que eu esteja tratando mal a Yoko mas, sinceramente, eu prefiro não me arriscar.

Songs for the Deaf

09.17.07

We are no deaf at all


Sair do país, para quem gosta de música, também significa sair correndo atrás de shows que a gente fica sonhando em ver no Brasil. Vários anunciados no jornal, e os olhos brilham com tanta opção legal. Tem muita banda desconhecida. Fico imaginando quanta coisa boa não deve ter ali no meio que a gente não conhece. Babei por algumas opções não possíveis tipo Aerosmith, que estava sold out, ou Alice in Chains, como convidado especial do Velvet Revolver, num dia que eu passei em aeroportos, e outros que por alguma razão não podia ir. Mas desistir jamais, e encontrei exatamente o que eu queria. Queens of the Stone Age em Houston, acompanhado de Arctic Monkeys.

Ato I – Os shows

Ao chegar no Verizzon Wireless Theater, quinze minutos antes do horário marcado para os shows, encontro um salão vazio, apenas com um aglomerado de adolescentes perto do palco. Era uma segunda-feira, e eu estava curiosa para saber que tipo de público estaria ali.
Começa a primeira banda, de Austin, não lembro nem o nome. Os meninos estavam tão nervosos que esqueceram de se divertir, e cumpriram tabela meio embananados no palco com um show rápido. No intervalo, fui até a área externa para um cigarro (não, nem no show de róque pode...) e notei que as pessoas estavam chegando em massa. Tratei de voltar e agora sim a atmosfera para um showzão estava se formando.
Eu estava com receio de assistir um “show de segunda-feira”, afinal, trabalhar na segunda deve ser meio difícil até para quem é rock-star. Em se tratando de Arctic Monkeys, que vocês já conhecem bem, foi exatamente isso que aconteceu. Entraram, sem muita interação com o público, e foram tocando. E foi ótimo. O Arctic é uma banda que não faz firula mesmo. Ninguém quer ser simpático com ninguém, e estamos aqui para entregar o produto que vocês compraram, toma. Fazendo tipo? Não sei, mas funciona. Do lado oposto do palco, a galera derretia a frieza dos árticos cantando, dançando e curtindo muito.
Intervalo, cigarro. O pátio fervia, cheio de olhos brilhantes, sorrisos, comentários empolgados e muita gente indo embora. Isso mesmo. Quem estava interessado só no Arctic nem deu bola pro Queens, e tomou o rumo de casa. Tinha muita gente chegando também, e quando o Queens apareceu encontrou a casa lotadíssima. Começaram esquentando o público com Do It Again, quando todo mundo já fervia. Aí sentaram a mão nas guitarras em 3’s & 7’s e Sick, Sick, Sick. Tudo funciona bem ao vivo e os arranjos continuam virtuosos. O palco ostenta alguns lustres antigos, daqueles com penduricalhos. A iluminação deixa um clima de sala da casa da mãe, uma calma que contrasta com o peso do som e a animosidade da platéia, enlouquecida.
Para acalmar os corpos e incendiar os corações, I Wanna Make It Wit Chu, a song about fucking, nas palavras do próprio Josh Homme, pronunciadas não ali, mas no DVD Live in London. Aliás, todos integrantes concretizaram minha previsão fazendo um show segunda-feira, sem muita conversa. Ainda assim, dá pra sair pisando nas nuvens depois de assistir ao vivo uma das melhores bandas de rock que meu humilde ouvido conhece.


Ato II – Bônus

O show acabou e, em poucos minutos, todo mundo foi embora. Eu estava sentada em um restaurante ao lado da entrada do teatro, comendo um dos clássicos americanos, chicken wings, quando vejo Mr. Josh Homme saindo pela porta. Meu corpo foi mais rápido que meu cérebro e na mesma hora larguei o frango e pulei duas cadeiras que serviam de obstáculo ao meu caminho. Como ele já estava alguns passos a minha frente, gritei, Josh!! No momento que ele se virou e parou diante de mim, meu cérebro voltou a funcionar e adivinhem o que pensei... é, o que eu falo agora? Bem, eu não podia perguntar como vai a família, então me restou o papo de fã, claro. Elogiei a banda, o show, disse que era brasileira e perguntei quando vinha ao Brasil. Um Josh muito educado me ouviu atentamente, mas sempre com cara de segunda-feira, e me disse que talvez em fevereiro. Nesse momento o assunto acabou e uma amiga esperta apareceu com o celular, para um registro! Recebi um abraço e retribui, como fã satisfeita. Nos despedimos e ele se foi. Pra terminar ao modo Josh Homme, eu digo que foi pretty fucking great!


Monday, October 1, 2007

The Score

09.13.07

Harvard Square, 18:30

Fazia uma meia hora que eu estava entretida em uma loja de CDs quando o telefone do Eduardo (que usei enquanto estive em Boston) tocou. Era um tal de Vitor, um brasileiro que me disse que havia acabado de ganhar um par de ingressos para o jogo de futebol daquela noite, Brasil x México.
Quando eu cheguei em Boston soube que a seleção brasileira ia jogar contra o México. Toda turma já tinha seus ingressos. Mesmo querendo ir, eu decidi não gastar os 40 dólares da entrada pois não havia mais cadeiras disponíveis perto do pessoal. Esses, no momento que eu recebi a ligação do Vitor, já estavam reunidos na "concentração", prontos para sair rumo ao estádio. O Vitor estava procurando uma carona, mas eu sabia que o carro estava lotado. Perguntei pra ele quem ficaria com o segundo ingresso e ele me disse, quem quiser ir...
Após algumas ligações para descobrir como chegar no estádio de trem, eu estava indo encontrar o Vitor na estação central. Vitor é um baiano loiro, de olhos azuis, que vive em Boston há três meses. Já está de saída para a Europa, onde vai tentar obter documentação para voltar a Boston com visto. Ele estava dormindo quando seu roommate bateu na porta do quarto dizendo que havia sobrado dois vale-ingresso para o jogo. Vale-ingresso? Isso aí. Nada vem tão fácil... Tínhamos dois vale-ingresso do McDonald's que deveriam ser trocados pelos ingressos oficiais lá no estádio, duas horas antes do jogo, que começaria 20:30.
Por volta das 19:30 estávamos na estação central, para pegarmos outro trem com destino a Foxboro, uma das cidades da Greater Boston, onde está o Gilette Stadium. Uma viagem de 40 minutos que custaria 6 dólares. Ao me informar soube que nosso trem já estava de saída, e que ao chegar na estação deveríamos tomar um táxi até o estádio, que ficava a 6 km dali.
Corremos para a plataforma e entramos direto no trem. Imaginei que os tickets seriam cobrados lá dentro, mas as estações foram passando, as pessoas descendo, e nada de cobrança... OK. Demos o calote sem querer. Um casal embarcou, e a menina usava uma camiseta do Brasil. Antes de eu agir, ela veio até nós e perguntou se queríamos dividir o táxi. OK! Descemos na estação, tudo deserto. Um sedan grande e velho se aproximou e parou do nosso lado. O motorista, muito agitado, foi logo mandando entrarmos no carro e disse que levaria seis pessoas ao estádio por 52 dólares. What?? Tentamos argumentar que o preço estava absurdo para uma corrida curta. Extremamente rude e nervoso, ele disse que todos motoristas nos cobrariam esse valor. Nesse momento, o táxi de verdade apareceu. Vinte dólares até o estádio, cinco para cada um. OK!!
O motorista nos deixou a uns 700 m do estádio. O mais próximo que conseguiríamos chegar de carro, devido ao trânsito. Nesse momento, a bola já estava rolando a uns 15 minutos. Apaixonados por futebol como todo brasileiro, eu e o Vitor adotamos o método "sebo nas canelas" e saímos em disparada rumo ao jogo. Na minha cabeça, haveria um McDonald's na porta do estádio, e eles não negariam trocar os vale-ingresso para dois brasileiros esbaforidos que já haviam perdido metade do primeiro tempo. Porém, não havia McDonald's, mas sim um funcionário do Mc que fazia a troca dos ingressos e, segundo o pessoal da organização, ele tinha ido embora quando o jogo começou. Momento tenso. Tanto esforço pra chegar até ali e não conseguiríamos entrar? Pedi ajuda a uma moça da organização, para que ela tentasse encontrar o funcionário do McDonald's...ele deveria estar em algum lugar. Esperamos alguns minutos e nada de resposta. Foi aí que o Vitor me chamou e se dirigiu para a entrada. Achei que ele ia perguntar alguma coisa para o segurança que recolhia os ingressos, mas ele simplesmente entregou os vale-ingresso com a maior propriedade. O segurança olhou para os vales, pensou por um segundo e fez um sinal com a mão para entrarmos. OK!!! Ao mesmo tempo que arregalei os olhos de surpresa, passei rapidinho pela portaria. Estávamos dentro. Como não tínhamos cadeiras marcadas, fomos para a melhor parte do estádio, bem perto do campo, tentar descolar um cantinho para nós.
Quando estávamos no trem o Vitor me disse, esse jogo vai acabar em 3x1 para o Brasil. Concordei e pensei comigo, o primeiro gol vai ser do México. Dito e feito. Logo que começamos a assistir o jogo, o México marcou o primeiro. Fiquei calma, afinal eu já sabia que seria assim! Ainda no primeiro tempo Ronaldinho cobrou escanteio e Kléber mandou a bola pra rede. No segundo tempo, estávamos sentados nas cadeiras que um pessoal nos disse estarem vazias. Aí foi só admirar nossa seleção jogando. A cada gol do Brasil o estádio vinha abaixo. Até os mexicanos curtiam. Tinha um do nosso lado que não parava de conversar, sabia mais da seleção brasileira do que da mexicana.
Festa da brasileirada. Na saída, churrasco no estacionamento, tudo que nosso povo gosta. Encontramos novamente o casal do trem, para dividirmos o táxi da volta. Mas quem disse que havia táxi? Os poucos que apareceram eram prontamente "atacados" pelo pessoal que precisava. Quando faltava menos de meia hora para o último trem sair da estação, e ainda estávamos perto do estádio, apelamos para planos B e C. Liguei para o Eduardo, imaginando que ele poderia deixar o pessoal na lanchonete que estávamos, nos levar até a estação e voltar para buscá-los. Qual foi minha surpresa ao saber que eles não conseguiam tirar o carro do estacionamento, por causa do fluxo de saída. Descolamos uma carona com um russo e um carioca, que toparam nos levar até Boston por cinco dólares de cada um. Quando nos deixaram em Boston, já éramos amigos e eles não cobraram nada. OK!!!! Pegamos um táxi e cheguei em casa por volta de 01:00. O Eduardo me ligou e adivinha onde estavam? Presos no estacionamento. Chegaram em casa depois das 03:00. Não é só no Brasil que as coisas não funcionam direito.
Pra concluir, eu repito a frase do Vitor. Obrigado McDonald's por fazer valer cada hamburguer que já comemos lá!

Sunday, September 23, 2007

Come on Pilgrim

12.09.07

Boston Common
Song: Joe's Head - Kings of Leon


Boston é uma cidade de 559 mil habitantes. Sua grandeza e fama se deve às cidades que a cercam e formam a Greater Boston. Aí já são quase 4,5 milhões de habitantes. Cada cidade tem sua vida própria, mas as pessoas transitam muito entre elas. Durante o dia, a população de Boston aumenta em 1,2 milhões de pessoas. Tem gente que descreve Boston como velha. E é mesmo. Foi aqui no estado de Massachusetts que os peregrinos chegaram, e aprenderam com os nativos como cultivar a terra. Na primeira colheita, em 1620, foi estipulado um dia de folga para comemorar, o Thanksgiving, o feriado mais importante (e único!) dos EUA.
A grande maioria das casas na Greater Boston são bem grandes, mas isso não significa espaço pra todo mundo. Em cada uma dessas casas moram três, quatro famílias. Uma no primeiro andar, outra no segundo, ou em alguns cômodos. As casas acabaram sendo divididas em "territórios". São vendidas assim também, em partes. Na minha opinião, isso ilustra o que mais me chamou a atenção em Boston, a diversidade cultural.
Fiquei hospedada na casa do Eduardo, meu amigo de Curitiba que está em Boston há três anos, mas todas as noites fazíamos uma visita a casa dos amigos. Haki, o dono da casa, um turco. Nos outros cinco quartos moram Kristen, que nasceu em Plymouth (a cidade dos peregrinos, que tem ares de colônia até hoje); Adriano, brasileiro, gaúcho, médico e cientista, trabalha com pesquisa neurológica na Boston University; Jora, a única bostoniana; Jodie, californiana e Aintha, alemã. As meninas são todas estudantes. E a outra metade da casa está a venda, ou seja, vem mais gente por aí, certamente de regiões e backgrounds diferentes.
Harvard, Boston University, MIT (Massachussets Institute of Technology) são algumas das universidades que estão na região. Isso agrega a Boston diferentes rostos, linguagens e culturas. Harvard Square, a região ao redor do gigantesco campus é um lugar cheio de gente jovem, restaurantes, lojas. Está sempre movimentada, com pessoas circulando e mantém aquele clima legal de arredores de universidade.
Boston abriga também a maior comunidade brasileira no exterior. É uma pena que a maioria dos nossos conterrâneos não tem oportunidade de interagir e aproveitar a característica multicultural da região. Muitos são ilegais, sobrevivem em sub-emprego e preferem viver embaixo da redoma da comunidade, nos guetos brasileiros. Assim, levam aqui a mesma vida do Brasil. Continuam assistindo novela das oito, fazem compras em lojas que falam português, frequentam bares brasileiros... muitos moram aqui há anos e não falam inglês. A diferença é que aqui não falta comida no prato, nem casa pra morar e muitos realizam o sonho de ter um carro e uma TV grande.
Eduardo diz que Boston é o terceiro mundo nos EUA... em alguns momentos, talvez. Mas não tenho dúvida que a cidade dorme bem confortável embaixo das asas da águia de cabeça branca.

Dirt

11.09.07


New York is definitely the place to be. Provavelmente a cidade mais legal dos EUA e talvez até do mundo. Como toda boa grande cidade, coloca na sua mão tudo que você deseja, desde que seu dinheiro possa comprar, mas também oferece opções para os bolsos mais magrinhos.
Porém, todos sabemos que nada é perfeito, e a maçãzona desaponta em alguns aspectos. Nos meus dois dias de nova iorquina, esbarrei com algumas coisas que fazem NY perder pontos:


  • LIXO - esses americanos são complicados... e acomodados. Não entra na cabeça deles que jogar o lixo no lixo não custa muito. É mais fácil jogar na calçada mesmo, pois em algum momento alguém vai passar e recolher. Resultado, NY é suja. Tem bastante lixo pelo chão e quanto mais afastado de Manhatan pior é. No fim de noite, ao caminhar pelas ruas, ainda há o inconveniente extra dos lixos dos restaurantes. Por dia, um restaurante produz muito lixo. Seis, sete sacos gigantescos na calçada, ofuscando o charme da cidade.

  • BALADA - cheguei em NY no domingo, sedenta por tudo que eu tinha direito. Passear o dia todo, ver gente, turistar, interagir com pessoas locais e, claro, festar de noite. Nem considerei o fato de ser domingo. The city that never sleeps não vai falhar num domingo. Afinal, domingo ainda é final de semana e até Curitiba ferve. Fomos ao East Village, região com vários bares e restaurantes. O único lugar que oferecia uma festa e não um jantar estava às moscas. Perguntamos para o garçom se estávamos adiantados no horário e se a casa enchia mais tarde. Muito rude, perguntou que tipo de lugar procurávamos. Ah, somos do Brasil, queremos ver gente. Domingo à noite? Have no idea. Nos rendemos e tomamos umas cervejas num barzinho tranquilo. Quando saímos, incansáveis, ainda caminhamos até quase o SOHO na esperança de um agito. Ruas desertas, lugares fechados, até carros eram raros. Pô, é NY ou Curitiba?

  • BALADA 2 - ainda que tivessemos encontrado a tal da baladinha, ela duraria até duas da manhã. Nem NY escapa das leis norte-americanas. Que deprê...

  • GENTE BONITA - mesmo nos lugares mais descolados, é raro um rosto na multidão chamar atenção. Tem muita gente bem vestida, gente diferente... mas bonita de verdade não tem muito, não. Já no final do tour, estava caminhando na rua quando vi três meninas e um menino. Todos lindos. Pensei comigo, finalmente! Quando fui chegando mais perto pude ouvir o que eles conversavam. Adivinha que língua estavam falando? Isso mesmo, cara-pálida.

Friday, September 21, 2007

09.20.07


Amigos, sei que estou relapsa. O tempo no computador está curto e nas últimas noites priorizei as fotos aos textos. Então aí vai o registro das aventuras. As fotos estão postadas das mais recentes para as mais antigas. Quem quiser acompanhar cronologicamente tem que começar lá na última foto da última página, ok? Eu recomendo!


Tuesday, September 11, 2007

Meu primeiro Cosmopolitan em NY.
Thank you Lord!




New York

09.09.07

Central Park
86 St, Upper East Side


Muita gente. Gente de toda parte do mundo, muitas línguas diferentes. Gente esquisita e gente bonita. Assim é Nova York, o lugar onde você tem liberdade para ser do jeito que quiser, e fazer o que tiver vontade. Se está dentro da lei e não atrapalha a liberdade alheia, tá liberado.
Você pode se vestir do jeito que quiser, tomar sol de bíquini, se alongar a vontade, tirar uma soneca, jogar baseball, passear com seu cachorro, namorar.
Nova York é viva. Tem todas as delícias de uma metrópole, mas ainda assim é acolhedora.


(Esse foi o primeiro texto sobre NY. Escrito logo que cheguei. Aguardem que tem mais vindo.)




Friday, September 7, 2007

Agora a pouco na varanda do Dudu Krauser.




Boston.




Boston extra sensorial.




Fly


09.05.07

(Song: Signs of Love - Moby)
(Somewhere between Philadelphia and Boston)




Voar é bonito, né?
A parte na terra é um desafio pra paciência,
mas uma vez que se está entre as nuvens você releva tudo.
Com a trilha sonora certa o vôo é ainda mais alto.


The Bourne Ultimatum

Jason Bourne é fera.
Paul Greengrass também.
O Ultimato Bourne encerra a trilogia do agente desmemoriado com responsa. A câmera tensa te coloca por duas horas grudado na cadeira, mas aproveitando a viagem. Lindas tomadas de Paris, Moscou, Madri e Londres. Trilha sonora caprichada, assim como todas atuações. Vale a pena se deslocar até o telão.


Olha que legal a crítica do Celso Sabadin no site do Yahoo.

Thursday, September 6, 2007

Mellon Collie and The Infinite Sadness

09.05.07

(Song: Elysium - Portishead)
(George Bush Intercontinental Airport - Portuguese mode on)


O Zeeko morreu. Aquele pequenino chiuaua, tão simpático e querido. E a culpa foi minha. Descuidada, deixei ele pular do meu colo e quando caiu no chão quebrou sua patinha. Para que ele pudesse se recuperar e crescer com a pata perfeita, era necessário uma cirurgia para colocar um pino e um cilindro em seus ossinhos. Mas ele era tão pequenininho que não resisiu a anestesia.
Ainda não sei explicar esse sentimento. O Augusto, dono do Zeeko e pessoa que me trouxe até os EUA, teve que passar dias dando comida na boca do pequeno quando ele era bebê, porque o Zeeko teve uma virose muito forte.
Até o incidente da pata quebrada o Zeeko estava forte, esperto e brincalhão. Perfeitamente saudável...
Quem me conhece pode tentar imaginar como me senti quando recebi a notícia. Mas nem eu sei exatamente como estou me sentindo. O que eu sei é que meu coração está menor do que uma ervilha.


Pro Zeeko eu dedico o título de um dos meus discos preferidos.
Agora será sempre o disco do Zeeko.

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